
Graças ao apoio do governador Helder Barbalho, Lula ganhou as eleições no Pará nos dois turnos (Foto: )
Brasília – O
governador reeleito do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse em entrevista a uma
TV a cabo, nesta segunda-feira (14), que a presença do presidente eleito, Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), na COP27 significa reestabelecer a credibilidade do
Brasil na agenda da preservação ambiental e do clima. Helder apoiou Lula no
segundo turno da eleição para presidente. Ele integra o Consórcio Amazônia
Legal, formado por governadores da região amazônica.
De acordo com o governador, que está na comitiva
brasileira que foi ao evento no Egito, Lula representa “inserir positivamente o
Brasil em um patamar estratégico de protagonista, restabelecer a credibilidade
do Brasil para esta discussão”. “Lula deve utilizar a sua imagem internacional
para negociar financiamentos de países ricos pela preservação das florestas
brasileiras,” acredita Helder.
“Nós esperamos que o presidente Lula possa fazer
uma convocação: por um lado, demonstrando que o Brasil cumprirá com suas metas
e responsabilidades ambientais, mas fazer um chamamento ao planeta de que nós
precisamos ter as compensações devidas. Garantir uma alternativa de
desenvolvimento sustentável e social que possa garantir floresta viva, mas, ao
mesmo tempo, possa ter gente sendo assistida, sendo cuidada”, afirmou o
governador, pontuando, ainda, que a meta do Consórcio é zerar a emissão de
gases de efeito estufa até 2050.
“Desejamos assumir compromissos combatendo ilegalidades.
Assumir compromisso com a redução das emissões até zerarmos todas as emissões
de CO² até 2050. Mas desejamos a compensação financeira para que o mundo possa
assegurar que esse modelo de desenvolvimento sustentável possa acontecer na
Amazônia”, destacou o governador.

O jato Gulfstream 600 de Junior da Qualicorp foi
emprestado para levar Lula e comitiva ao Egito


Carona
polêmica
Repercutiu mal no noticiário político desta
segunda-feira (14), a “carona” num jato Gulfstream 600 que custa US$ 54,5
milhões de dólares (cerca de R$ 290,48 milhões), e de acordo com o site
especializado em jatos particulares compareprivateplanes se um cliente quiser
fretar o jato o preço estimado por hora de voo para um Gulfstream G600 é de US$
10,000 mil dólares. Naturalmente, esse preço varia de acordo com a
disponibilidade, preços de combustível, taxas terrestres e muito mais.
O que está pegando, segundo o entorno político de
Lula é que o superjato executivo capaz de viajar em velocidades próxima a
supersônica a uma altitude máxima de 51.000 pés e otimizado para cruzeiro, o
G600 tem um alcance máximo de 6,600 Milhas Náuticas (7,595 Milhas / 12,223 Km
de alcance é que a aeronave pertence a uma empresário enrolado até o pescoço
com a Lava Jato e foi o único convidado do setor privado que participou da
cerimônia de casamento de Lula e Janja.
A “carona de luxo” de Lula, Janja, Celso Amorim e
demais integrantes de sua comitiva ao Egito é motivo de preocupação e pode
haver, inclusive, um questionamento no Congresso sobre a forma da viagem. “É um
prato cheio para a oposição”, disse uma fonte ao Blog do Zé Dudu.
“O Lula foi no mínimo ingênuo”, diz um assessor
direto do petista. “Pode não ser ilegal, mas é óbvio que é uma ‘carona’ que ele
deveria evitar. Ele não liga para essas coisas, mas deveria”, afirma um
ex-ministro do segundo governo Lula que também prefere o anonimato. Essas
opiniões circularam por todo fim de semana no entorno do presidente eleito.
O G600 não pertence a um empresário qualquer. É de
propriedade do bilioário José Seripieri Junior, que já foi conhecido pela
alcunha de “Junior da Qualicorp”, empresa que ele fundou, mas da qual já se desligou
— hoje, é dono da Qsaúde. Junior foi preso pela Lava-Jato e tornou-se delator.
No fim de 2020, fechou com a PGR um acordo de delação premiada pelo qual pagou
uma multa de R$ 200 milhões.
É um dos empresários mais próximos de Lula. Durante
a campanha ofereceu um jantar em sua casa para que alguns de seus pares
ouvissem os planos do então candidato. Foi também o único empresário presente
ao casamento de Lula em Janja, em maio.
O jato de Junior decolou às 7h30 do aeroporto de
Guarulhos em direção ao ultra exclusivo balnerário de Sharm El Sheik, no Sul do
Egito, às margens do Mar Vermelho. É uma aeronave com capacidade para
transportar 19 passageiros e tem autonomia de voo para fazer sem escalas a rota
São Paulo-Egito.
O G600 de Junior tem uma peculiaridade: é um avião
com matrícula americana, um expediente usado por alguns proprietários de jatos
para pagar menos imposto.
Por Val-André
Mutran – de Brasília