Domingo, 16 de Agosto de 2026

ECONOMIA
Publicada em 06/08/25 às 17:26h - 181 visualizações
Indústria do cacau fala em prejuízo de R$ 190 milhões e paralisação de 37% do setor com tarifaço
A estimativa é da Câmara Setorial de Cacau e Sistemas Agroflorestais do Ministério da Agricultura (Mapa)

Jornal O Niquel

Foto: Divulgação/Mapa  (Foto: )


ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)


A imposição da sobretaxa de 50% sobre a exportação dos produtos de cacau brasileiro pelos Estados Unidos deve provocar, já em 2025, uma perda mínima de US$ 36 milhões, o equivalente hoje a R$ 190 milhões, para essa indústria no Brasil. A estimativa é da Câmara Setorial de Cacau e Sistemas Agroflorestais do Ministério da Agricultura (Mapa).





CNN Brasil Money


Tarifaço de Trump pode gerar perda de R$ 180 milhões para cacau brasileiro


Mercado norte-americano é o segundo principal destino dos derivados brasileiros de cacau e responde por 18% das exportações do segmento


Flávia Said, do Estadão Conteúdo




Cacauicultura é responsável por cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos  • Yusuf Ahmad/Reuters


A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) calcula que o setor pode perder pelo menos US$ 36 milhões — cerca de R$ 180 milhões — em 2025 se a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre derivados de cacau for mantida.





A taxa, definida por ordem executiva da Casa Branca na semana passada, passará a vigorar na próxima quarta-feira (6), e preocupa a entidade, que vê risco ao funcionamento da indústria nacional.


O mercado norte-americano é o segundo principal destino dos derivados brasileiros de cacau e responde por 18% das exportações do segmento.

Em 2024, os embarques para os EUA somaram US$ 72,7 milhões (R$ 363 milhões). No primeiro semestre de 2025, já alcançaram US$ 64,8 milhões (R$ 325 milhões), mais de 25% do total exportado no período.

A AIPC afirma que a sobretaxa adicional de 40%, somada aos 10% anunciados em abril, ameaça a estrutura produtiva nacional. "Isso porque a estrutura produtiva do setor depende da moagem das amêndoas, cujo subproduto principal é a manteiga de cacau — derivado fortemente demandado pelo mercado americano, que concentra praticamente 100% das exportações brasileiras desse item".


Ociosidade da indústria
Sem o escoamento para o mercado norte-americano, as empresas ficarão impossibilitadas de manter a produção em pleno funcionamento, continua a entidade. Isso poderá ampliar significativamente a ociosidade industrial e comprometer empregos e investimentos nas regiões produtoras, especialmente na Bahia, no Pará e em São Paulo.

A cacauicultura brasileira é responsável por cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos.

Estimativas da AIPC apontam que a ociosidade média da indústria processadora pode saltar para 23,83%, podendo atingir até 37%, se considerados os dados consolidados de 2024.


"Esse cenário agrava a crise já enfrentada por um setor pressionado por quebras de safra e alta nos preços das amêndoas no mercado interno", completa a associação. "A AIPC acredita no diálogo como caminho para a superação desse impasse e reforça seu compromisso com o trabalho técnico e propositivo junto aos governos do Brasil e dos Estados Unidos, em busca de soluções que preservem a previsibilidade, a sustentabilidade da cadeia produtiva e a geração de valor no agronegócio nacional", finaliza.






















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